27 September 2011

Wilma Kun / INTERLUDE FOR A SELFPORTRAIT - Galeria Quarta Parede (São Paulo)


WILMA KUN - Interlude for a Selfportrait

Opening: 7th October 2011, at 8pm
Exhibition: from 8th October till 2nd November
Text by Antonello Tolve
This is the 1st Solo Exhibition of the brazilian artist in Brazil. Wilma Kun lives and works since 20 years between Milan and Rotterdam.

The artistic work that I have been developing for some years is focused on the concept of identity. This concept is declined, in all my works, through the use of my image. There are different aspects of the concept of identity which I have considered in my artistic research, such as: the sexual identity; the capacity of perception of ourselves; the reconstruction of identity’s idea through the personal and collective memory; as well as the influence of media in the contemporary culture for the definition of identity. Wilma Kun uses differents media, from installation, drawing, photos to video.

Galeria Quarta Parede
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 722
Vila Mariana - SP - São Paulo - 04014-002
(11) 3297-0014
de 2ª a 5ª das 14 às 18h e Sábado das 14 às 18h

----------------------------------------------------------------------------------------Versão em Português

WILMA KUN - Interlude for a Selfportrait

Abertura: 07 de Outubro (sexta-feira) 2011 às 20 Hs
Visitação até 02 de Novembro
Texto de Antonello Tolve
Esta é a 1° exposição individual da artista no Brasil. A artista brasileira vive e trabalha da 20 anos entre Milão e Rotterdam.

Toda a pesquisa de Wilma Kun, se desenvolve nos meandros do conceito de identidade. Utilizando sempre o próprio corpo e a própria imagem, a artista indaga os diversos elementos que alicerçam a construção da identidade. A identidade sexual, a capacidade de percepção de si mesmo, a reconstrução da idéia de identidade através da memória pessoal e coletiva, bem como a influência dos meios de comunicação na cultura contemporânea, são os diferentes pontos de vista que Wilma Kun explora no seu trabalho. A artista utiliza diferentes meios artísticos, que vão da instalação ao desenho, da fotografia ao video.

Galeria Quarta Parede
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 722 
Vila Mariana - SP - São Paulo - 04014-002
(11) 3297-0014
de 2ª a 5ª das 14 às 18h e Sábado das 14 às 18h


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Wilma Kun. Sobre a ombra das silenciosas identidades 
Antonello Tolve
A identidade do retrato é no retrato mesmo”
Jean-Luc Nancy

Expor-se ao mundo, mostrar a própria intimidade, distender a própria interioridade na procura do outro.
Aceitar a diversidade e os seus mil voltos. E depois, ainda, estrofler a subjetividade até criar uma narração silenciosa onde o sujeito apresenta, no entanto, “a sua igualdade e a sua alteridade em uma única identidade onde o nome” tinha avisado Nancy, é, simplesmente “o retrato”(1).
Quase a encontrar um punto de equilíbrio entre o aberto e o fechado, entre o Innen e o Aussen (Freud), entre o interno e o externo justamente, entre a interioridade e a exterioridade, entre o público e o particular, Wilma Kun propõe uma linha estética que faz da identidade (e da sua reconstrução), da sessualidade e da memória coletiva o espaço triunviro de uma reflexão intesa a restabeleçer uma relação com o ser no interno de um sistema planetário de natureza fragmentada. De uma fragmentação que é o nucleo e o coágulo, reflexão urgente do panorama atual da vida planetária.
Redefinindo a individualidade - e com a individualidade, a originalidade, a singularidade, a particularidade do indivíduo - a artista empenha- se na pesquisa de uma verdade escondida, de un discurso antropológico, que lê as evoluções da família humana, as metamorfoses do próprio sé dentro de um sistema que muda continuamente, de um evoluir das coisas e de um cotidiano que garba numerosas civilidades e culturas. O seu trabalho, na verdade, abre janelas entre a memória pessoal e coletiva, para colocar luzes na heterogeneidade do mundo (que seja esse sessual ou simplesmente intelectual), sob os rítmos biológicos onde o corpo vivente se deixa tratar como corpo entre os corpos, sugeriu Plessner(2), e a palavra unidade põe em causa também aquela de multiplicidade.
Através de manobras Alterorgânicas (que acenam à parábola estética do Post Human) e o paciente coser que ricordam à memória alguns expedientes caros a Louise Bourgeois e a Maria Lai, Wilma Kun constrói espaços de reflexões sobre a coletividade e sobre à comparticipação, sobre a variedade.
Em um mundo que se apresenta como uma espécie de tapete persa ricamente e misteriosamente variegado(3).
Cenas de natureza familiar, auto-retratos colocados em contextos culturais disforme (as vezes com griffe bordados a mão). Outros, ainda, que mostram somente a pele - o estreno – que se dá ao mundo, com uma necessária cintura de segurança, para evitar a transparência do proprio esistir e simular, assim a típica identidade flúida e múltipla que gera o espaço virtual(4). Através de uma série de trabalhos exemplares a artista cria uma potente reportagem antropológica que se faz metáfora da vida condicionada, questa, da um governo mundial, onde o homem é, da tempo; cidadão do mundo.
Body Portrait (2000), Look at me(2011), Mirrors (2011), Identity (maravilhosa série de 32 desenhos numerados, realizados em 2011), Memories 3# (2009), uma instalação escultural que mostra três crianças com a mãe sobre um colchão de latex, quase a indicar o calor da intimidade familiar. Os diferentes Interlude for a Selfportrait (1#,2#,3#,4# e 5#) de 2010 – 2011 ou Unburied 1#. Reality perceived, um vídeo que atraversa as várias fases do trabalho. E pois, ainda, os vigorosos trabalhos da série Mask (2011) e aqueles da série Sibyl (vermelho, ouro e amarelo), todos do 2011. São somente um elenco mínimo das obras - concatenadas entre elas - através as quais Wilma Kun constrói um verdadeiro e próprio work in progress, uma polifonia que mostra uma fissura entre a obra e o seu público para estruturar um diálogo inevitavelmente fracassado. Um diálogo onde o familiar se faz, gradualmente, outro. Composição, verificação, recherche, de um estado emocional em continua metamórfosi. Mas também, elaboração de um discurso que mira fazer e desfazer, com elegância, um diálogo indispensável com os outros. Que mira criar um senso dos sensos, para dizer como Erwin Straus(5). Que tem como objetivo reconheçer a multicuturalidade do mundo para exigir um forte e maduro senso de identidade.

1 J.-L. Nancy, Le Regard du portrait, Éditions Galilèe, Paris 2000, p. 20.
2 H. Plessner, Anthropologie der Sinne, Suhrkamp Verlag, Frankfurt am Main 1980.
3 R. Kapuściński, Ten Inny, Wydawnictwo Znak, Kraków 2006.
4 S. Turkle, Life on the screen: Identity in the age of the Internet, Simon & Schuster, New York 1996.
5 E. Straus, Vom Sinn der Sinne. Ein Beitrag zur Grundlegung der Psychologie, Springer, Berlin-Göttingen-Heidelberg 1956.

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